terça-feira, 22 de abril de 2014

Marketing em Busca de Engenheiros


Em março desse ano eu fui procurado pelo Meio&Mensagem para falar sobre Big Data & Analytics em Marketing. Eis as minhas respostas às perguntas que depois ajudaram a montar uma matéria bem bacana.

1- Com o big data ganhando espaço nas estratégias das empresas, profissionais ligados à área de engenharia começam a assumir funções de marketing. Como você que tem a formação em engenharia chegou ao marketing? Conte um pouco da sua história profissional também. 

Por formação universitária eu sou engenheiro eletricista e analista de sistemas. Eu fiz dois cursos. Na década de 80, quando me formei engenheiro, o mercado estava muito ruim para os engenheiros, por outro lado surgia a tecnologia de informação que naquela época era conhecida como Informática. Este foi o caminho natural para muitos engenheiros. A demanda por profissionais de informática era enorme e os engenheiros tinham perfil e formação muito adequadas. Eu trabalhei vários anos como engenheiro, até que em determinado momento eu comecei a receber muitas propostas interessantes para migrar para informática. A chance de trabalhar com computadores era algo fascinante naquele tempo e não resisti. No final da década de 80 eu já havia trabalhado em várias empresas atuando como analistas de sistemas, como por exemplo: Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (que naquela época era muito forte), Citibank e Burroughs (nome antigo da Unisys). Entrei na IBM em 1987 como analista de sistemas. Eu tinha um perfil de consultor e poucos anos depois migrei para a área comercial, onde os conhecimentos técnicos faziam diferença. Em 1995, quando a IBM se reposicionou como uma empresa de serviços, eu recebi o convite para assumir a área de Comunicações da empresa. Eles queriam fazer uma grande mudança e estavam buscando um novo talento adepto a desafios. Eu aceitei no ato. Nessa posição eu já tinha sob o meu comando a área de publicidade. De lá foi um pulo para começar a assumir outras atividades de marketing. Olhando para trás, minha carreira sempre ficou entre as áreas comercial, de marketing e comunicações. Tenho múltiplas experiências e a formação de engenharia me ajudou muito nisso tudo. Em 1998 eu fiz uma pós-graduação em marketing, ou seja, virei um "engenheiro mais redondo".

2- Como as habilidades de engenharia estão ajudando o marketing? 

Marketing, por tradição, sempre foi uma área onde criatividade, intuição e emoção fizeram a diferença. Isso continua valendo, mas num mundo extremamente recheado de informações e dados, começa a ganhar relevância a capacidade de ser racional, analítico e assertivo. Essas são características naturais dos engenheiros, que naturalmente investem muito tempo e recursos em planejamento e análise. O mundo de marketing hoje está mais nervoso, tudo é online, o grande número de canais trazem complexidade sistêmica, onde uma ação influencia outra, a capacidade de pensamento sistêmico e conhecimento de gerência de projetos são capacidades extraordinárias para o mundo atual de marketing.  

3- O digital, com suas métricas, dados e milhares de informações, tem um papel fundamental nessa migração dos profissionais de áreas mais exatas pensarem as estratégias de marketing? 

Sim, com certeza, o mundo digital é uma porta natural de entrada para os profissionais de ciências exatas no mundo do marketing, e não somente engenheiros, mas também matemáticos, estatísticos e engenheiros de sistemas de computação. Mas limitar ao digital é algo muito pequeno, um dos grandes dilemas do marketing moderno é a complexidade de planejamento e operação, com um grande número de variáveis e de canais de prospecção e relacionamento com consumidores, uma dinâmica incrível de dados trafegando para todos os lados, especialmente via redes sociais, mas também por outros canais como os call centers e aplicativos móveis. Existe uma armadilha muito comum dentro da área de marketing, que ainda acontece entre os profissionais e líderes mais experientes, que é concentrar muitos esforços em advertising em detrimento das outras áreas. Isso muitas vezes ocorre pois os investimentos em advertising são tradicionalmente vultuosos, o que acaba drenando a atenção e o foco da liderança de marketing. Mas a gestão da marca e dos negócios cada vez menos depende de advertising, outros canais e meios surgem a galope, especialmente aqueles que estabelecem diálogo e relacionamento da empresa com o mercado e seus consumidores. Planejar, fazer a gestão, medir, agir, reagir, tudo isso exige processos e ferramentas muitas vezes complexas, encadeadas, que só funcionam com um bom planejamento e um sistema gerencial de alto nível e eficiente. Tudo isso sob uma forte pressão para gastar menos e fazer mais. Esse é um ambiente natural dos engenheiros. Por isso eles podem trazer conhecimento e experiências muito interessantes para o marketing.

4- Para a IBM, que é uma empresa de tecnologia, as habilidades e pensamentos de disciplinas de exatas ajudam na estratégia de comunicação? como? 

Sim, ajuda muito. A IBM é uma empresa essencialmente técnica. Somos mais de 400 mil funcionários, sendo que mais de 3/4 dessa contingente trabalha em áreas técnicas, portanto nosso jeito de ser, nossa gestão e nossa forma de pensar e decidir tem forte influência do estilo e das características dos profissionais de ciências exatas. No entanto, cabe ressaltar que a grande maioria dos profissionais das áreas de comunicação e marketing da IBM tem por base a formação técnica nestas áreas de especialização, ou seja, marketing e comunicação. Não pense que tais áreas estão inundadas de engenheiros e analistas de sistemas. O que ocorre hoje é um mix muito saudável de profissionais. Eu, com minha formação de engenheiro, ajudo muito o time de comunicação e marketing no planejamento e na gestão da estratégia, me preocupando com métricas, modelos de controle e operação, medição de resultados e retorno dos investimentos. Acho que estas são áreas que os profissionais de ciências exatas podem ajudar muito.

5- Como você se atualiza na profissão?

Basicamente sou um leitor compulsivo. Leio até bula de remédio :)
Mas tenho uma rotina muito regular. O Meio&Mensagem e a Proxxima são leituras obrigatórias. Nelas eu descubro o que está acontecendo no mercado, as tendências e as novidades. Impossível não ler. Acompanho regularmente em torno de 20 blogs nacionais e internacionais nas áreas de marketing e comunicação. Sou blogueiro do Meio&Mensagem, do Brasil Post e tenho o meu próprio blog chamado "A Quinta Onda". Esta atividade me abre relacionamentos importantes, muitos duradouros. Participo de pelo menos 1 evento de mercado por mês, as vezes como palestrante. E, por fim, mantenho relacionamento com CMOs e outros profissionais da área, sempre trocando informação e experiências. Esse mix de atividades me coloca antenado e conectado com o que acontece de mais importante na profissão. E, super importante também citar que a IBM possui serviços, soluções e consultoria nas áreas de marketing e comunicação, que crescem aceleradamente e me colocam na roda do que existe de mais moderno e arrojado nestas áreas em todo mundo.

6- Como está aprendendo a lidar com as novas ferramentas, circunstâncias e novas realidades que o digital traz para a área de marketing? 

A gente sé aprende se colocar a mão. Tem que se jogar, se arriscar e testar coisas novas. Este é um lado que nem todo engenheiro gosta, né? Normalmente engenheiros gostam do que já deu certo, do que já foi testado, de risco zero e de controle total. Infelizmente isso não funciona em marketing, por isso é que não dá para imaginar as áreas de marketing e comunicação puramente sendo geridas e operadas por engenheiros. O meu lado de marketing me joga para testar coisas novas e tomar riscos, experimentar projetos diferentes e ousados. Um grande exemplo que posso citar é o projeto Ei!, criado e implementado pela IBM Brasil na Copa das Confederações em 2013. Foi o primeiro projeto de grande porte de análise de sentimentos nas redes sociais em português. Este foi um projeto construído com muito mais perguntas do que respostas, mas o time encarou o desafio e partiu para um projeto inovador. O projeto alcançou grande sucesso, apresentou excepcional resultado, e isso só foi alcançado pela ousadia das pessoas na tomada de risco e de aprender algo novo em pleno vôo. Acho que este é o melhor caminho para lidar com as novas ferramentas e realidades do mundo digital.


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terça-feira, 15 de abril de 2014

Filme da Kombi é um Oásis na Publicidade Brasileira


Xuxa usa Monange, Caroline prefere Francis, Flávia prefere Neutrox, Angélica usa Paixão e Ivete se cuida com Frutics Garnier. Já Fátima come Seara e Roberto come Friboi.  Reynaldo passa cheque do Banco do Brasil. Luciano liga TIM. Anderson faz inglês no Wizard e toma Budweiser. Gisele vê Sky. Ronaldo liga Claro, dirige Fiat e toma todas da Ambev. Já Romário prefere Devassa. Felipão usa Vivo, dirige Peugeot e curte guaraná Antarctica. Ele e a esposa Olga fazem compras no Walmart. Ronaldo compra no Pão de Açúcar e Pelé no Carrefour. David se trata na Unimed. Neymar é outro que toma guaraná Antártica, veste meias Lupo e ainda se vira com Claro, Heliar, Unilever, Nike, Panasonic, Red Bull, Volkswagen, Santander e Tennis Pé. Que tédio!

Alguém me disse que a época da boa publicidade está no fim. Escuto isso por vários lados, mas não concordo. É verdade que tem muitas coisas mudando. O foco no curto prazo, o uso de fórmulas repetidas, a imposição da racionalidade das métricas, a complexidade dos múltiplos meios, a preferência por ações de guerrilha, a falta de tempo para planejar e investir nas boas ideias, o receio de investir no incerto, a pressão da concorrência e a atenção excessiva em promoções e táticas de preços têm gerado consequências no marketing e comunicação das empresas. Assistir à TV brasileira é uma constatação dessa realidade. Ações reais de branding, de construção de imagem e de inspiração têm diminuído na publicidade da TV. O Itaú, com seu enorme caminhão de dinheiro aplicado em publicidade, parece ser um dos exemplos de como ainda trabalhar o branding com sucesso e de forma consistente, não é por acaso que Itaú é a marca mais valiosa do mercado brasileiro.

O lado cheio do copo nessa jornada de transformação da publicidade fica por conta das mídias digitais, que abrem espaço para maior criatividade e alternativas à fórmula enlatada da TV. Salve as redes sociais e a internet!! Elas abriram uma nova frente e atuam como um sopro de oportunidade única para publicidade se renovar e buscar novos propostas. Por conta dessas novas oportunidades, o filme documentário "Os últimos desejos da Kombi" é um oásis na imensidão da publicidade brasileira. É um exemplo perfeito de storytelling, que surpreende e inspira, toca o coração. Os criadores do filme transformaram a Kombi num ser, numa amiga, numa irmã, num membro da família, exatamente como as pessoas amantes da Kombi olham para a sua companheira inseparável de momentos marcantes em suas vidas. No filme, a Kombi relembra sua vida na estrada e conta histórias, sempre falando na primeira pessoa. Parabéns a Volkswagen do Brasil que nos brindou com um filme comovente, por homenagear um dos maiores ícones de sua história, por celebrar e reverenciar este momento com os seus clientes mais fiéis e fãs incondicionais da Kombi. É muito bom saber que ainda temos momentos publicitários como esse. Vai vender mais? Não! Afinal o produto está saindo de linha, mas a marca sai fortalecida e revigorada.




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terça-feira, 8 de abril de 2014

Redes Sociais não perdoam: CEO do Mozilla pede demissão depois da polêmica sobre casamento gay

As redes sociais funcionam para o bem e para o mal. Existem exemplos para todos os lados, mas é sempre maravilhoso constatar o poder que elas evocam ao mudarem o destino de determinadas coisas.
A novidade da hora é Brendan Eich, que no dia 3 abril pediu demissão da posição de CEO do Mozilla depois de ter sido nomeado para o cargo duas semanas antes. Sua renúncia foi consequência do enorme movimento nas redes sociais contra o seu nome para o cargo, gerando desgaste na imagem da empresa, insatisfação dos colegas de trabalho e conflito com as crenças e valores praticados pela Mozilla. Caso não conheça a Mozilla, ela é a dona do navegador Firefox.

Brendan Eich não é figura nova na área de tecnologia, ele sempre foi um cara respeitado, especialmente pelo legado de seu trabalho na Netscape e na Mozilla. Ele quase sempre é apresentado como o criador da linguagem JavaScript, atividade que desempenhou quando ainda trabalhava na Netscape. Eich é conhecido como um excepcional técnico, muito admirado no meio da tecnologia, porém começou a cair em desgraça pública em 2012, quando ele era diretor da Mozilla e fez uma doação em dinheiro para a Proposition 8, emenda constitucional do Estado da Califórnia cujo objetivo era derrubar a legalização do casamento homossexual. A repercussão foi muito ruim na época, ainda mais depois que Brad Pitt, Steven Spielberg, Ellen DeGeneres e a Apple, todas celebridades californianas, doaram dinheiro pesado a favor do "Não" à Proposition 8.  Brendan Eich teve que se explicar publicamente em relação ao assunto e muito gente não aceitou suas justificativas. O fato foi mal digerido não só dentro da empresa, mas por todo o mercado.

A reação foi intensa e imediata ao anúncio de Brendan Eich como CEO da empresa em 24 de março de 2014. O mais impressionante foi a reação dos próprios funcionários através das redes sociais, especialmente no Twitter. Muitos pediram a renúncia imediata do CEO. Um abaixo-assinado digital foi criado pedindo a cabeça de Eich, superando 70 mil adesões. Por outro lado, alguns defenderam a liberdade de expressão e alegaram que o CEO poderia ter crenças diferentes de seus colegas. O debate acalorado cresceu nos dias seguintes, extrapolando as fronteiras da empresa e chegando ao mercado, especialmente entre os parceiros e desenvolvedores da Mozilla. Ocorreram até algumas campanhas contra o uso do Firefox numa tentativa de colocar pressão na empresa.

A pressão fez o presidente do conselho da empresa, Mitchell Backer, escrever sobre o caso em seu blog no dia 26 de março, apenas dois dias depois da nomeação do novo CEO: "O compromisso da Mozilla com a inclusão para a nossa comunidade LGBT e todas as minorias, não muda. Ao agir para ou em nome da Mozilla, é inaceitável limitar as oportunidades a qualquer um baseado na orientação sexual e/ou gênero. Isso não é só um compromisso, é a nossa identidade".

Numa entrevista dada para a CNET, publicada em 1 de abril, ainda no calor das discussões, Eich não apresentou claramente a sua posição sobre o casamento homossexual, mas disse que ser contra a união gay não indica que ele é racista e que a liberdade de opinião e religiosa é protegida. E pediu para que as pessoas não misturassem a sua vida particular com o seu trabalho à frente da Mozilla.

O clima dentro da empresa piorou muito. Notícias na imprensa citaram que alguns diretores da Mozilla pediram demissão por não aceitarem Eich como chefe. Tudo parecia alimentar ainda mais a polêmica nas redes sociais. O desfecho do caso foi no dia 3 de abril, quando um comunicado da empresa, carregado de explicações, informou a saída do CEO recém anunciado: "A Mozilla se orgulha de ser colocada em um padrão diferenciado e, na última semana, nós não honramos isso. Nós sabemos porque as pessoas estão magoadas e com raiva, e elas estão certas: é porque nós não fomos fiéis a nós mesmos". Em outro ponto é dito: “Brendan Eich escolheu renunciar ao cargo. Ele tomou a decisão em benefício da Mozilla e da nossa comunidade”. O comunicado foi assinado por Mitchell Backer. Veja o comunicado na íntegra.

No mesmo dia 3, Brendan Eich comentou em seu blog sobre a sua saída da empresa. Em determinado ponto ele diz: "Eu renunciei a posição de CEO e estou saindo da Mozilla para ter um descanso, fazer algumas viagens com minha família e olhar os problemas por outros ângulos".

A Mozilla agiu corretamente ao forçar a renúncia. Reconhecer o erro de tê-lo nomeado CEO foi um acerto, persistir no erro seria um equívoco. Outras empresas talvez procrastinassem, mas a ação rápida da Mozilla traz a paz de espírito que a empresa precisa para voltar a trabalhar. O líder maior de qualquer empresa tem que gerar orgulho nos funcionários, tem que inspirar e ser um exemplo indiscutível dos valores e da cultura da organização. Confrontar este conceito põe em risco a imagem e a credibilidade da marca, perturba o engajamento dos funcionários e cria rugas no relacionamento com os clientes.  

O alcance, a velocidade e a relevância do caso só foram alcançados devido a força das redes sociais. A rapidez e a repercussão do caso me lembram o caso recente de Justine Sacco, a executiva que foi demitida por ter publicado um post racista no Twitter. O caso de Justine foi mais rápido, tudo aconteceu num final de semana. Enfim, novos tempos.

Ahhhh... hoje, no dia em que este post é publicado, o cargo de CEO da Mozilla continua em aberto.

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terça-feira, 1 de abril de 2014

Devo ser Amigo do meu Chefe no Facebook?

Sábado de manhã.
Você acorda cedo, resolve "gastar um tempo" no celular e pensa: "Vou ficar uns 30 minutos no facebook". Abre o aplicativo e, de repente, salta na tela o convite: o seu chefe do trabalho está pedindo para ser seu amigo no facebook. Quase que por instinto você se movimenta para aceitá-lo, mas pensa melhor: devo ou não devo aceitá-lo?  Você lembra daquelas fotos postadas onde aparece bebendo com os amigos no bar. Todos muito doidos :)  Lembra também daquele post onde você falava que precisava de férias urgentes para recuperar a energia porque não aguentava mais o trabalho. Isso sem falar nos comentários que você fez sobre as melhores empresas para se trabalhar e que seu sonho era trabalhar no Google.

Sábado à noite.
Aceita ou não aceita o seu chefe como amigo? Isso não sai da sua cabeça. Se não aceitar, vai ficar muito chato, né? Qual vai ser a desculpa? Como explicar que você é amigo de vários colegas de trabalho mas não aceita o seu chefe? Você se convence que tem que aceitar, até para o bem do seu relacionamento. Mas espera, se você aceitar, o que vai acontecer se no meio do expediente você escreve um post no facebook e o seu chefe olha? Ele vai pensar que você não está trabalhando e está se distraindo durante o trabalho, vai logo falar em perda de produtividade. Puxa, você vai ter que se controlar em tudo que escrever. Que chatice! Que cilada você se meteu!! Você perde a vontade de continuar a ver facebook e deixa para decidir sobre o que fazer no dia seguinte.

Domingo de manhã.
Você abre o facebook e o convite do seu chefe ainda está lá. Você olha para ele e não sabe o que fazer. Tem uma ideia: o que será que seu chefe escreve no facebook? Você vasculha e descobre que o seu chefe tem apenas três semanas no facebook... e não escreveu nada ainda, nem foto ou qualquer comentário. Ele está mudo. Será que ele entrou no facebook somente para fiscalizar os funcionários?

Domingo à tarde.
O seu chefe é legal, gente boa, mas você não tem muita intimidade com ele no trabalho. Você não costuma falar de assuntos pessoais com ele e nem conta confidencias. É difícil imaginar o seu chefe vendo fotos de sua intimidade, seus momentos com amigos e os comentários engraçados e sarcásticos que muitos deles deixam em seu mural de atividades. Não! Definitivamente você não pode aceitá-lo como amigo. Poderia ser constrangedor e até impactar negativamente a sua carreira. Então deixa para decidir depois.

Domingo à noite.
Mas, espera, você é criativo, bem humorado, é bem comportado no Facebook, ele vai ver que você tem uma vida pessoal saudável e uma família legal. O seu chefe vai saber separar as suas opiniões pessoais do que os outros escrevem em seu mural. E pensa: ser amigo do seu chefe no facebook vai ajudar você a ter mais exposição com ele e mostrar coisas legais. Quem sabe você pode passar a escrever coisas mais relevantes e até chamar a atenção do seu chefe?

Segunda-feira de manhã.
Você chega no escritório. Passa na frente da mesa do chefe. Ele olha, sorri e dá um aceno de bom dia. Você senta em sua mesa, pega o smartphone e aceita o seu chefe como amigo.

Essa história é uma ficção, mas comum a um grande número de trabalhadores que passam por situação similar diariamente. A conversa de ser ou não ser amigo do chefe no Facebook já é algo corriqueiro no ambiente de trabalho. Muitas vezes a iniciativa parte do chefe, outras vezes é o funcionário que dispara o convite para o chefe.

O Brasil é país mais ativo no Facebook, e o dilema acontece de forma muito mais contundente exatamente nessa rede social, que é uma rede com claros propósitos pessoais. O LinkedIn tem uma pegada diferente, lá a exposição é profissional e criar conexões profissionais é sempre visto como uma ação positiva. O Twitter parece não sofrer este tipo de análise.

Uma pesquisa feita no ano passado mostrou que os brasileiros pensam diferente do resto do mundo em relação a amizades com colegas de trabalho e chefes no mundo virtual. 41% dos brasileiros se sentem a vontade para ter o chefe como amigo nas redes sociais, enquanto que a média mundial é de apenas 19%. Sobre ter os colegas de trabalho como amigos, os números são ainda maiores, 51% para os brasileiros e 25% para o resto do mundo. A pesquisa foi feita pela Robert Half junto a 1.775 líderes de Recursos Humanos em 13 países e grandes centros.

Um outro estudo mostrou que cerca de 25% dos jovens no mundo entre 18 e 25 anos já são amigos de seus chefes na rede social. E a maioria dos entrevistados disse que não se preocupa com o conteúdo publicado nos perfis. 60% dos jovens que são amigos virtuais de colegas de trabalho não restringem o conteúdo para eles.

A decisão de aceitar ou não aceitar o seu chefe como amigo no Facebook não pode ser algo emocional, deve ser algo racional, onde a decisão poderá causar impactos no relacionamento entre ambos e até em sua carreira profissional. Existem alguns pontos que merecem análise e consideração. Coloque-os na balança para que a decisão faça sentido.

Vale a pena ser Amigo do seu Chefe no Facebook:
1. Se você já tem um bom relacionamento com ele, compartilha informações pessoais e tem até alguns interesses similares fora do ambiente do trabalho;
2. Se seu chefe já é amigo no Facebook de colegas no trabalho, ou seja, já rola um ambiente online colaborativo entre todos; 
3. Se seu chefe é usuário ativo no Facebook, valoriza o mundo online, compartilha opiniões e mostra que não está lá para fiscalizar, mas sim para compartilhar;
4. Para que você conheça melhor o seu chefe fora do trabalho, conhecer suas predileções, expectativas e características pessoais. Isso vai ajudar a melhorar seu relacionamento com ele;
5. Para que ele conheça melhor você, saber de seus interesses pessoais e profissionais, constatar que você é um cara bacana e com bons propósitos. 


Se você já é amigo do seu chefe no Facebook, pode valer a pena:
1. Postar algumas coisas para que sinalize a ele seus objetivos de carreira, aspirações e desejos profissionais. Seja sutil, afinal de contas todos estão vendo, mas deixar alguns rastros pode ser uma boa;
2. Compartilhar a sua criatividade, coisas interessantes que toquem em sua área de trabalho e que reforcem seu conhecimento;
3. Ser bem humorado. Todos gostam de pessoas otimistas e de bem com a vida.  

Mas...
1.  Cuidado com o você posta;  
2. Não faça reclamações sobre a empresa, salário e carreira nas redes sociais. Este não é o local correto para isso. E nem seja irônico;
3. Ahhh... e não vale falar mal também da ex-empresa ou do ex-chefe;
4. Não mostre intimidades e nem informações muito pessoais. Se este é o caso, então mantenha a sua página no Facebook apenas conectada com sua família e amigos íntimos;
5. Não seja polêmico ou irônico sobre assuntos sensíveis, especialmente aqueles que dizem respeito a preconceitos e tabus da sociedade. Isso pode ser um tiro no pé.
6. E, nunca, jamais, bajule o seu chefe virtualmente, ou você vai querer ficar conhecido com puxa-saco virtual do seu chefe?

E, não esqueça, você é um ser humano único. No mundo das redes sociais, onde a transparência é completa, não existe mais fronteiras entre o lado pessoal e o lado profissional. É tudo uma coisa só. O que você faz lá bate cá e vice-versa.

Enfim, no mundo digital você é que você publica.


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quarta-feira, 26 de março de 2014

Vem aí a escova de dentes conectada

Muito se fala que nossas vidas estão sendo drenadas pela internet. Estamos o tempo todo conectados às mídias sociais, com os smartphones nas mãos e pendurados em qualquer dispositivo ligado à internet, mas esta é apenas a parte visível do iceberg. Estamos no início da era da internet das coisas, onde objetos e dispositivos a nossa volta estarão conversando entre si através da internet e conectados a grande bases de dados, redes e sistemas. Tais dispositivos estarão funcionando com vida própria, tomando decisões e muitas vezes agindo sem a interferência humana. O intenso nível de miniaturização e da nanotecnologia está permitindo que cada vez mais pequenos objetos possam interagir e se conectar. Carros conectados, roupas inteligentes, eletrodomésticos que se interagem, etc. Tudo começa a se tornar realidade.

A novidade que vem por aí é a escova de dentes conectada à internet. Criada pela P&G para a Oral-B, a nova escova cibernética usará bluetooth para se conectar a um aplicativo que estará rodando no smartphone. O seu dentista ajudará você a programar adequadamente o aplicativo para que você tenha a escovação mais adequada, atendendo áreas de sua boca que precisam de mais atenção. E, melhor, a escova orienta em "real time" a sua escovação, provendo conselhos customizados para você a cada escovação, como sugerindo ao usuário a escovar mais determinadas partes da boca ou diminuir a pressão da escova sobre os dentes se você estiver exagerando na força. Você também poderá competir com sua família para ver quem escova melhor. Testes mostraram que a escova aumentou a escovação de menos de 1 minuto de duração para mais de 2 minutos. Veja a foto reproduzida do daymail.co.uk que resume bem as capacidades do dispositivo.

Será que precisamos mesmo disso? Será que precisamos ter aparelhos a nossa volta nos monitorando e dizendo o que fazer, para onde ir e vir? O Waze nos diz o caminho, o Whatsapp nos interrompe no melhor do almoço e o Tinder diz com quem devemos estar. Daqui a pouco estaremos todos usando Google Glass, iWatch, Galaxy Gear, computadores de orelha e, até quem sabe, Smarty Ring. Poderemos chegar num ponto em que não teremos mais vida própria e livre arbítrio, porque sempre teremos algo para nos orientar o que fazer, sempre com recomendações racionais e baseadas em fatos e dados coletados. Viver pode ficar mais chato e burocrático.

Enfim, está interessado no novo brinquedinho para botar na boca? O preço ainda não está definido, mas a nova escova deverá custar entre 200 e 300 dóláres. Sorriso bonito sempre custou caro, mas conectado a web é muuuuuito mais caro.



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domingo, 23 de março de 2014

Dá para Confiar no Endoserment do LinkedIn?

Semanas atrás eu recebi uma mensagem no LinkedIn de um sujeito que eu não conheço, com uma proposta esquisita. Ele dizia mais ou menos assim:

"Oi, Mauro, Meu nome é Fulano e acompanho o seu blog já há algum tempo. Admiro o seu trabalho..." e blá, blá e blá. No final da mensagem ele dizia que ia fazer um endorsement a meu respeito no LinkedIn e me pediu o mesmo como cortesia. Ou seja, o sujeito veio me pedir que eu fizesse um endorsement sobre ele, que nunca vi "mais gordo".

Respondi delicadamente que eu não o conhecia e portanto seria impossível citar qualquer referência ou endorsement.

Ele me respondeu dizendo que entendia o meu ponto, mas que eu poderia dar um endorsement mais genérico, citando algo mais comportamental, como "forte espírito de time", "determinado", ou algo do tipo. No final, para meu espanto, ele disse que isso já era uma espécie de prática de mercado, ou seja, "eu endorso você... e você me endorsa". E disse que todos respondem positivamente para ele.

Como assim?
Fiquei surpreso e decepcionado. A primeira percepção é que o endorsement do LinkedIn pode ser um tremendo engodo, onde pessoas escrevem e apertam o botão de forma inconsequente e descomprometida. A segunda onda no pensamento foi imaginar se os caçadores de talento na web estão realmente levando a sério os endorsements. Será que os RHs das empresas, que vêm usando fortemente o LinkedIn como um aliado confiável na busca de profissionais, têm consciência dessa "prática de mercado" citado pelo "meu amigo virtual"? Uma espécie de "tomá lá, dá cá"...

Infelizmente, eu estou inclinado a acreditar que uma boa parte dos endorsements no LinkedIn não são realmente confiáveis. Os relacionamentos na web, especialmente nas redes sociais, são voláteis, privilegiando mais o contato rápido e superficial do que uma relação mais profunda e densa, isso faz com que nossas "curtidas" e conversas sejam mais inconsequentes. Gostei do que li? Achei interessante?  Aperto o "curtir". Puxa, o meu amigo que não vejo há muito tempo escreveu uma coisa legal? Aperto o "like". E por aí vai... A impressão é que o endorsement pode estar se tornando uma espécie de botão de "Curtir" ou de "Like", onde a facilidade e a conveniência do pressionar de um botão pode transformar uma declaração em algo leviano, um pouco irresponsável e inconsequente.

E, por fim, em relação ao pedido do mais novo amigo virtual, eu fiquei devendo...

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terça-feira, 18 de março de 2014

Três Conceitos Errados em Marketing Digital

Dias atrás, li mais uma vez uma matéria antiga chamada “É preciso entender o que motiva seus consumidores a interagir com suas marcas”, publicada na revista Pequenas Empresas Grandes Negócios (PEGN). Foi uma entrevista do Professor Henry Jenkins, coordenador do programa de estudos de mídias do Massachussets Institute of Technology (MIT).

O professor Jenkins comenta a importância de as empresas monitorarem as redes na web para ouvir seus consumidores, entender suas preferências e motivações, bem como sobre o que e de que forma eles querem interagir. O pulo do gato na entrevista é quando ele lista três conceitos errados que as empresas praticam e que prejudicam a sua interação com os consumidores.

Usando as suas argumentações, e agregando a minha visão, eis os conceitos:

1- COMUNIDADES

As empresas acreditam, e ainda teimam, em criar comunidades ao redor de suas marcas. Poucas realmente têm sucesso. Trazer consumidores e admiradores para as comunidades proprietárias das empresas continua sendo custoso e difícil para as empresas. Conceitualmente, o caminho correto é as empresas entrarem nas comunidades já existentes, criadas por terceiros, mas aí há um desafio complicado porque, muitas vezes, as comunidades não aceitam tal entrada. As empresas devem pensar em si como um convidado dessas comunidades, que precisa entendê-las e respeitar as práticas e normas já existentes. O caminho é de diálogo.

2- CONTROLE

As marcas querem entrar nas comunidades, mas tendo o controle destas. Esta é uma cultura enraizada em quase todas as empresas, existe um temor da perda de controle, mas a verdade absoluta é que elas já perderam o controle há um bom tempo. Existe um sentimento de conteúdo proprietário e a eterna fiscalização sobre o que os clientes e consumidores estão fazendo com ele. O desafio agora é desapegar. As empresas têm que dar liberdade aos consumidores para que eles façam o que quiserem com o conteúdo produzido por elas. E entendam conteúdo da forma mais abrangente possível: texto, imagem, vídeo etc. Estamos todos em busca de um novo padrão de interação entre empresa e consumidor, que seja significativo, proveitoso e divertido para ambos os lados.

3 - CONTEÚDO VIRAL

Gerar conteúdo que se torne viral parece ser um sonho de consumo de todo marqueteiro. As empresas querem que seu conteúdo seja multiplicado na rede, mas o conceito está equivocado. “Viral” sugere a ideia de que os consumidores serão meros divulgadores das mensagens das empresas. O professor Jeckins fala em conteúdo "espalhável", ou seja, as empresas têm que pensar em seus consumidores como promotores de seus conteúdos. Imagine os consumidores criando conteúdos inovadores a partir dos conteúdos das empresas, gerando valor, distribuindo isso para comunidades específicas e conforme seus interesses. Ou seja, o especialista fala em consumidores promotores ativos dos conteúdos das empresas, e não em promotores passivos. A diferença parece sutil, mas não é.

São três conceitos simples, fáceis de entender, difíceis de praticar.


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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Privacidade e Big Data: Você está nu e não sabe


Dois anos atrás eu fui convidado para dar uma entrevista sobre "privacidade na internet".  Chamarei a jornalista de Márcia (o nome verdadeiro é outro) e pouparei o nome do veículo por motivos óbvios,
mas a base da entrevista era debater se ainda é possível manter a privacidade na web nos dias atuais. A jornalista tinha uma teoria de que sim, é possível manter a confidencialidade e preservar a privacidade nos tempos atuais, mesmo na internet. Eu, naquela época, já tinha um conceito diferente: acho que estamos todos escancarados e a nossa privacidade já era.

A entrevista foi por telefone. A conversa se tornou mais um debate do que entrevista pois Márcia insistia no ponto de que a privacidade individual é algo que pode ser preservado, mesmo no mundo transparente da internet que vivemos. Num determinado momento, ela disse mais ou menos o seguinte: "Veja o meu caso, por exemplo, eu mantenho a minha privacidade. Não quero ver a minha vida aberta e disponível para os outros. Eu acho que consigo controlar bem a minha privacidade online". Esperei ela terminar de argumentar e respondi o seguinte: "Márcia, há quase dois anos você teve um baque muito forte em sua vida. Sua mãe, que sempre foi sua melhor amiga, faleceu depois de um acidente. Você pirou, mudou de emprego, e viveu meses fora do Brasil. Foi para França e voltou revigorada. Parece que você se recuperou bem e refez a sua carreira no Brasil. Mudou de emprego. Nesse período, uma grande amiga foi fundamental na sua recuperação, prestando apoio incondicional, e você, provavelmente, é muito grata a ela até hoje. Acho que ela deve ser sua melhor amiga né?". A linha ficou muda. Parecia que ela havia desligado o telefone. Perguntei se havia alguém na linha e Márcia voltou gaguejando: "Como você descobriu tudo isso?". Eu respondi: "Você deixou rastros na internet. Achei pesquisando na web". E ela retrucou: "Mas eu não escrevi nada sobre isso ou, se escrevi, foi muito pouco". E respondi: "Você não, mas sua amiga escreveu algumas vezes sobre você. Eu juntei as partes e coloquei alguma ingerência minha para contar essa história para você. Exagerei um pouco para dar mais dramaticidade".

Sabendo que a entrevista partiria para um debate, no dia anterior da entrevista eu tomei a iniciativa de pesquisar sobre a vida pessoal da jornalista na internet com o objetivo de buscar alguma informação mais polêmica e íntima. E surpreendentemente eu consegui. Acabei achando mais do que esperava. A jornalista ficou boquiaberta e o debate tomou outro rumo. Ela se convenceu de que privacidade nos tempos atuais é algo quase impossível.

O fato é que esse cenário evoluiu muito nos últimos anos e vai se acelerar ainda mais nos próximos. Recentemente a Fast Company publicou um artigo muito interessante, chama-se "The Future Of Relationships: 10 Ways We'll Be Dating, Having Sex, And Breaking Up In 2025". Basicamente o artigo especula como serão os relacionamentos em 2025, com base num estudo da consultoria Sparks and Honey. Vale ler. O interessante é que uma das tendências fala em "Quantificação dos Relacionamentos". O estudo diz que no futuro não somente os indivíduos serão monitorados, mas também os relacionamentos. O uso de tecnologias vestíveis (wearable, em inglês) denunciará a forma como interagimos com cada pessoa em nosso círculo familiar e de amizade. Ou seja, o sexo e os relacionamentos serão novas fronteiras férteis para medição e monitoramento. O Big Data vai prover "insights" e razões sobre os relacionamentos, porque alguns funcionam bem e outros falham. Se extrapolarmos essa ideia é bem possível que futuramente tenhamos um verdadeiro big data de informações, colaborativas ou não, que serão consideradas na hora de alguém escolher um parceiro. Aqui podemos estar falando de informações genéticas, comportamentais e de outras dimensões. O novo aplicativo sensação do momento chamado LULU já parece ser algo nessa linha.

O melhor artigo que li até agora sobre "Privacidade em tempos de Big Data" foi de Cezar Taurion, publicado em novembro. Olha o que ele escreve: "Indiscutivelmente que hoje geramos quintilhões de dados por dia e, queiramos ou não, estamos sob constante vigilância. Sabemos que nossas ações são monitoradas quando usamos nossos cartões de crédito, quando usamos nossos celulares e smartphones, quando fazemos buscas na Web ou quando acessamos um site. No Rio de Janeiro, por exemplo, estima-se que exista cerca de 700 mil câmeras instaladas nas ruas, prédios, condomínios, bancos, supermercados etc, que de alguma forma gravam nosso dia a dia. O Facebook armazena, em média, cerca de 111 MB de informações sobre seus usuários".

Enfim, estamos desgraçados. Temos milhares de câmeras, robôs e dispositivos nos monitorando e seguindo a gente. Impossível escapar. Bastar passar na frente de um edifício, em qualquer rua da cidade, para uma câmera indiscreta de segurança flagrar você.

Nesse mesmo artigo, eu descobri uma palestra no TED de arrepiar os cabelos. Malte Sptiz, num excelente vídeo de dez minutos, conta a sua saga em descobrir as informações que a sua operadora de telefone na Alemanha guardava sobre ele. Depois de várias solicitações recusadas e um processo na justiça, Malte recebeu mais de 35 mil de código, um detalhado relatório, quase minuto a minuto, de seis meses de sua vida. Assustador!! O vídeo mostra detalhes que faz a gente pensar. Aliás, você tem ideia de que tipo de dados a sua companhia de telefone celular está coletando sobre você?



Texto publicado no blog Ponto de Vista no Meio&Mensagem

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sábado, 22 de fevereiro de 2014

O que você precisa saber sobre Native Advertising




A publicidade online cresceu com base no mecanismo tradicional de banners, ou seja, os marqueteiros espalham banners por vários lugares diferentes e ficam na torcida para que o usuário clique nos banners publicados. A guerra então se transformou na produção de banners mais criativos e chamativos, com introdução de novas tecnologias, mas no final das contas o processo continua sendo o mesmo do "velho banner". Este modelo está quebrado. O interesse do consumidor por banners é cada vez menor, alguns se irritam, especialmente por conta de banners que saltam na tela interrompendo a navegação ou a leitura do usuário. Enfim, a guerra pelo click faz com que a taxa de clicks em banners continue diminuindo cada vez mais. A publicidade online tem o desafio de sair da sinuca do modelo tradicional de chamar a atenção do consumidor para ele clicar numa peça publicitária. Esse modelo está se esgotando, não funciona mais.

Com a explosão das redes sociais, dos blogs e das diversas formas de mídia online nós entramos na era da produção e consumo intensivo de conteúdo.  Apesar de existirem controvérsias sobre sua definição, Native Advertising é em sua essência a produção de conteúdo relevante integrado à experiência do usuário. Em outras palavras, é a criação, produção e publicação de conteúdo adaptado para o meio consumido pelo usuário, seja ele texto, vídeo, imagem ou outra forma qualquer, mas sempre com o viés publicitário, com o objetivo de criar interesse ou consumo por determinada marca, produto ou serviço. Como exemplos podemos citar posts em blogs, histórias patrocinadas no facebook, vídeos promovidos em plataformas de vídeo como o YouTube, conteúdo diferenciado em apps como Flipboard e Pulse, tweets promovidos no Twitter, posts no Tumblr, infográficos, checkins patrocinados no Foursquare e muitas outras formas de disseminação de conteúdo. A lista de exemplos pode ser interminável pois as formas e alternativas são quase infinitas.

Aqui no Brasil já vi algumas tentativas para traduzir "Native Advertising" para português. Publicidade Nativa ou Publicidade Natural são traduções que surgem, mas eu não gosto de nenhuma delas, por isso continuarei aqui a tratar com o termo em inglês.

Conheço colegas que entram numa discussão sem fim a respeito da definição de Native Advertising e outras formas de publicidade como branded entertainment, branded content, brand publishing, brand newsroom e por aí vai. Enfim, pode colocar tudo numa mesma sacola e misturar bem pois isso tudo é marketing digital. As possibilidades parecem infinitas e novidades vêm por aí.

Native Advertising é inevitável e é uma das áreas de maior crescimento para a publicidade online. No contexto da native advertising o consumidor não é interrompido como na publicidade tradicional, a mensagem não é intrusiva, ele consome conteúdo no contexto da experiência que tem na web. Portanto não estamos falando apenas de criação e produção de conteúdo, existe um componente importante de design e experiência do usuário. Em alguns casos, dependendo do meio, tal consumo não é apenas passivo, pode existir interação e diálogo com o usuário. Portanto o crescimento de native advertising em 2014 é uma aposta acertada, mas creio que este crescimento vai variar conforme a linha de atuação da marca. Marcas que comercializam produtos e serviços de valor adicionado certamente apostarão mais neste tipo de marketing, por outro lado eu acho que empresas cujos produtos tem mais o perfil de commodities serão mais resistentes para partir para esta solução e continuarão ainda muito focados no marketing online mais tradicional.    

O estudo publicado pela Sharethrough e o IPG Media Lab afirma que native advertising tem 25% a mais de propensão de ser visto do que banners. Ou seja, uma sinalização da maior eficácia de native advertising versus banners.

Vale a pena ver o último relatório da HEXAGRAM apesar dos dados serem referentes somente ao mercado norte-americano. Infelizmente eu não tenho dados do mercado brasileiro.

Segundo o estudo, 62% dos publishers (editorias), 41% das marcas e 34% das agências nos USA já aplicam native advertising.  48% dos publishers que não oferecem hoje native advertising afirmam que planejam usar em 2014. O mesmo acontece com 36% das marcas e 47% das agências.

As formas mais populares de native advertising são posts em blogs (65%), artigos (63%) e facebook (56%).
A grande maioria dos publishers (84%), agências (81%) e marcas (78%) afirmam que native advertising adiciona valor aos consumidores.
A maioria das marcas (66%) criam conteúdo próprio para native advertising, o que mostra a importância e o cuidado que elas têm com a atividade.

O principal ponto positivo desse formato de publicidade digital é que a experiência do usuário não é comprometida pelo incômodo de uma peça publicitária tradicional, aliás, pode até ser melhorada se a ação for bem executada. Ou seja, vamos ter um satisfação maior do usuário e um provável aumento do engajamento com a marca. Outro ponto a favor é que a taxa de conversão tende a ser muito mais eficaz, o que pode permitir que o anunciante pague até mais pelo aumento da efetividade da ação.
A flexibilidade e a capacidade de segmentação da mensagem também são benefícios evidentes. Com a imensa oferta de meios e redes sociais o anunciante passa a ter um leque enorme de opções para conversar com seus potenciais consumidores, de forma segmentada, no ambiente de "conforto" do consumidor. Existe um grande futuro nesse caminho, porém ainda incipiente pois a gestão desses múltiplos conteúdos pode se tornar extremamente complexo e custoso, principalmente se considerarmos que o caminho natural da native advertising é desenvolver relacionamento e diálogo com o consumidor. Fazer isso de forma massiva não é algo tradicional. 

A pesquisa já citada da Hexagram mostra que as principais motivações pela adoção do native advertising é permitir uma maior relevância da mensagem (67%) e aumentar o engagamento do consumidor (63%).

Ironicamente, o maior benefício da native advertising é também o seu maior desafio. Desenvolver conteúdo e publicá-lo de forma customizada em cada meio e audiência torna o processo mais complexo, demorado e mais caro. As vezes é difícil ganhar escala. A gestão pode também se tornar mais complexa. Dependendo do meio, a monetização e o ROI podem ser mais difíceis de serem estimados e medidos. Segundo o estudo da Hexagram, publishers avaliam que as formas mais efetivas de monetização de native advertising sao blogs (58%), artigos (56%) e videos (53%).

Segundo o mesmo estudo da Hexagram, os principais obstáculos de uma maior adoção de native advertising são o custo (44%) e a falta de informação sobre as origens do tráfego e outras métricas (30%).

Os exemplos de native advertising onde o ganho de escala e a medição parecem ser mais efetivos e fáceis são as plataformas Twitter, Facebook e YouTube, onde tweets promovidos e vídeos e histórias patrocinadas se beneficiam do ganho de escala que tais plataformas permitem. A maioria das empresas está partindo para estas plataformas como uma rápida alternativa de se posicionarem e participarem da "festa", no entanto o mercado parece que pode se saturar rapidamente, portanto se destacar nessas plataformas pode se tornar algo complicado. Por isso a busca de outras plataformas parece ser um caminho inevitável e de diferenciação. 

Por fim, existe um debate, as vezes acalorado, sobre a percepção do usuário a respeito de native advertising. Uns dizem que essa publicidade disfarçada engana os consumidores e prejudica o jornalismo isento e equilibrado. Eu não conheço estudos que mostrem a reação dos consumidores a este tipo de publicidade, mas creio que o consumidor tem o direito de ter a clareza de que tal conteúdo está sendo patrocinado e promovido por uma determinada marca, isto faz parte da transparência e clareza que qualquer marca deseja estabelecer com seu cliente e/ou admirador. A matéria "Sponsors Now Pay for Online Articles, Not Just Ads"  publicada no NYT apresenta uma abordagem interessante sobre este tema.

A Mashable publicou um infográfico bem legal feito pela Column Five que mostra os desafios da Native Advertising que estão em linha com alguns pontos que citei acima. Já a Altimeter publicou um outro infográfico que apresenta pontos fundamentais para uma campanha de sucesso em native advertising. Vale a pena ver. Esses são os dois melhores infográficos sobre o assunto.



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sábado, 15 de fevereiro de 2014

Agora vai !! Empresas liberam o uso de bermuda no trabalho

O papo do uso de bermuda no trabalho não é novo. Quem mora no Rio sabe que essa é uma demanda genuína. A novidade agora é que o maçarico do Rio está ligado sobre todo o Brasil, a começar por Porto Alegre que vem registrando temperaturas recordes desde o início do ano. Portanto o assunto "bermuda no trabalho" virou tema de interesse nacional.

A história ganhou mais força neste verão com o lançamento do site "Bermuda sim", cujo objetivo foi provocar a discussão nas redes sociais. O divertido do site é que o internauta digita o email do chefe que, em seguida, recebe um mensagem com o pedido para liberar o uso de bermuda no trabalho. Também é legal ver os dez "bermudamentos".

Mas, diversão a parte, existe sim uma espécie de reivindicação branca dos trabalhadores por uma flexibilização do vestuário no ambiente de trabalho. Essa é uma conversa recorrente.  Algumas vezes as ações se transformam em protesto e ganham as manchetes, como a recente manifestação de um funcionário no Rio que foi trabalhar de saia, já que o uso de bermuda no escritório não era permitido. Rapidamente ele ganhou exposição pública e o caso bombou nas redes sociais. O "homem de saia" ajudou a colocar mais fervura na discussão.

O fato é que existem dois lados. O lado do funcionário, que verdadeiramente pena por conta do calor. E não é apenas dentro do ambiente do trabalho, tem que considerar que as pessoas se deslocam pela cidade, de suas casas até ao trabalho, muitas vezes se utilizando de um transporte público de qualidade duvidosa e num ambiente de calor intenso. O transtorno é grande e afeta a saúde e bem-estar das pessoas. O outro lado é o da empresa. Muitos trabalham dentro de ambientes fechados e não tem contato com o público e os clientes, mas considere que um imenso contingente de trabalhadores atua atendendo clientes, saindo as ruas para reuniões e outros momentos em que representam a empresa. Como fica o uso da bermuda nesses casos? E, por fim, a bermuda não vem sozinha. Discutir o uso da bermuda significa também discutir o uso de tênis, camisetas, saias, chinelos, etc. Não dá para usar bermuda de sapato, né? :)

É fácil imaginar que agências de marketing e comunicação, empresas de internet e outros segmentos mais ousados e inovadores adotem uma política de "dress code" mais flexível, afinal "desafiar o sistema" faz parte da proposta dessas organizações, mas surpreendentemente já existem muitas empresas de segmentos mais "formais" que estão mudando as coisas. No Rio, os funcionários das lojas e da sede administrativa da Casa&Video já  podem usar bermuda durante o expediente. Para quem não conhece a Casa & Video é um grande varejista na cidade do Rio e a grande maioria da sua força de trabalho atua no atendimento ao público. Por isso eles tiveram uma preocupação muito grande com as regras e com a comunicação. A nova política começou em dezembro e a adesão inicial foi tímida, mas aí os diretores decidiram dar o exemplo e passaram a trabalhar de bermudas regularmente, este foi estopim para a onda pegar de verdade.  

A novidade recente é a Totvs que, dias atrás, anunciou um mudança nas suas regras de vestuário. Bermudas, camisetas e tênis passam a ser permitidos. Estão autorizadas as bermudas de materiais como jeans e sarja. Também estão liberadas as camisetas pólo, legging, sneakers e tênis neutros. Por outro lado, chinelos, calções de futebol estão proibidos. Segundo a Totvs, a decisão não é apenas pelo calor, mas também pelo jeito de ser da empresa. O "casual day" deixa de ser as sextas feiras e passa a ser todos os dias. Mas o mais ousado não foi isso, o que me chamou a atenção foi que o novo código de vestimenta foi criado a partir de um trabalho que a empresa fez com os seus mais de 5,5 mil funcionários. O assunto foi discutido pelos colaboradores por meio das redes sociais da empresa e em comitês em São Paulo, Porto Alegre, Joinville, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília, ou seja, um processo ousado e participativo. Todos construíram juntos. Bacana! 

Cabe citar que a demanda pela flexibilização do vestuário nas empresas não é apenas pelo calor. Existe um desejo evidente por um ambiente mais informal e casual, especialmente da nova geração de trabalhadores. Este é um caminho inevitável e as organizações já notaram isso. As mudanças vão acontecer, mas a velocidade das coisas vai depender da identidade, valores e cultura de cada empresa.


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